Crise combustíveis Reino Unido
Reino Unido. Exército britânico pronto para garantir o fornecimento de combustível O governo britânico ordenou hoje ao Exército que se prepare para ajudar na atual crise de combustíveis do país. Os tanques militares de transporte de gasolina podem avançar para aliviar os problemas de abastecimento, depois de um fim de semana em que os britânicos acorreram aos postos de combustível, deixando-os esgotados. "Um número limitado de motoristas de tanques militares deve estar preparado para intervir e mobilizado, se necessário, para estabilizar o fornecimento de combustível", disse hoje o Ministério dos Negócios e da Energia britânico, citado em comunicado. Cerca de 150 militares vão receber treino de emergência para fazer o transporte de gasolina até aos postos "onde é mais necessária e para dar mais garantias de que o abastecimento de combustível continue a ser abundante", adiantouo Ministério. Esta formação pode levar cinco dias a ser concluída. O ministro dos Negócios e da Energia, Kwasi Kwarteng, fez a exigência às Forças Armadas britânicas horas depois de o Executivo ter dito que não se esperava, tão cedo, que os militares fossem forçados a ajudar para controlar a escassez de operadoras no setor dos transportes de mercadorias perigosas. "O Reino Unido continua a ter grandes suprimentos de combustível. No entanto, estamos cientes dos problemas da cadeia de abastecimento aos postos de combustível e estamos a tomar medidas para amenizá-los como uma questão de prioridade", declarou Kwarteng. "Se necessário, o destacamento de militares fornecerá capacidade adicional à cadeia de abastecimento como uma medida temporária para ajudar a aliviar as pressões causadas por picos na procura localizada de combustível", acrescentou.  PânicoA corrida ao abastecimento acelerou nos últimos dias, depois de várias petrolíferas terem anunciado o encerramento de alguns postos devido à dificuldade em abastecê-los, problema que atribuíram à falta de camionistas para conduzir os tanques desde as refinarias. Também as notícias associadas ao aumento dos preços dos combustíveis gerou uma onda de pânico na população que afluiu em grande escala aos postos de abastecimento durante o fim-de-semana, esgotando as reservas de muitas bombas por todo o país. À medida que os postos de gasolina foram ficando sem combustível para venda, os preços atingiram o nivel mais alto dos últimos oito anos.  "Fora de serviço" | Lee Smith - Reuters A escassez de combustível no Reino Unido deve-se ao abastecimento desencadeado pelo "pânico", afirmou hoje o presidente da Associação de Postos de Gasolina (PRA) britânica. "Um dos nossos membros recebeu um tanque de combustível ao meio-dia e ao final da tarde tinha totalmente desaparecido nos carros das pessoas", disse Brian Madderson à BBC esta manhã. Acrescentou que as bombas mais afetadas estavam nas áreas urbanas e que cerca de dois terços dos 5500 postos de venda filiados à Associação ficaram "parcialmente secos ou prestes a esgotar". Madderson atribuiu a situação ao "pânico, puro e simples" dos automobilistas, porque embora os postos estejam "a ser abastecidos, o número de tanques que estão a receber está abaixo da quantidade necessária". As empresas, incluindo BP, Shell e Esso, disseram que havia "bastante combustível nas refinarias e terminais do Reino Unido e, como indústria, estamos a trabalhar em estreita colaboração com o governo para ajudar a garantir que o combustível esteja disponível para entrega aos postos em todo o país". Trabalhadores-chave e serviços de emergência Os sindicatos pediram para que os trabalhadores de serviços essenciais tivessem prioridade no abastecimento de combustível. Médicos, enfermeiras, funcionários penitenciários, assistentes sociais, bombeiros não podem ficar presos nas fiilas das bombas de gasolina e por isso a UK Homecar Association e a Unison solicitam ao governo para "designar postos de combustível para uso exclusivo de trabalhadores-chave". Os hospitais têm suas próprias bombas de combustível mas os depósitos vão-se esvaziando. Os responsáveis das unidades de saúde esperam que haja prioridade no reabastecimento desses tanques para o serviço médico. Um motorista de ambulância no norte de Londres disse à BBC que visitou vários postos em busca de combustível. "Não tinha gasóleo, estava na reserva, a luz estava acesa, estava caótico e a minha frequência cardíaca começou a subir", disse ele, depois de finalmente encontrar combustível em Brent Cross. Medidas e oposição Nos últimos dias, o Governo tem apelado à calma e a consciência dos automobilistas para que comprem apenas a gasolina ou gasóleo que precisem, mas no fim de semana foi forçado a tomar medidas, anunciando 5.000 vistos para camionistas estrangeiros. No pacote de várias medidas incluem-se também a suspensão das regras da concorrência, para que as petrolíferas possam partilhar recursos no abastecimento de postos com maior necessidade, o envio de cartas a solicitar camionistas para voltarem à profissão e o envolvimento de militares para acelerar a realização de exames de condução de veículos pesados. O opositor Keir Starmer, líder trabalhista, acusou Johnson de ter permitido que a situação "saísse do controle, apesar de meses de advertências da indústria". "As consequências do fracasso de Boris Johnson em se preparar ou planear estão a ser sentidas no nosso país", disse Starmer. "O governo agora deve reunir empresas e sindicatos para desenvolver um plano adequado, tanto para a crise imediata, como para enfrentar as questões de longo prazo que nos trouxeram até aqui", rematou.
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