Cansaço com consequências fatais
21/11/2020 16:21 em Novidades

 

A Federação Europeia dos Trabalhadores dos Transportes quer reduzir os tempos legais de condução e aumentar o tempo de descanso do motorista.

Por ocasião do dia Mundial das vítimas nas estradas, a Federação Europeia dos Trabalhadores dos Transportes (ETF) publicou resultados preocupantes da sua investigação sobre o cansaço nos condutores profissionais. A associação apela para que os tempos legais de condução e descanso sejam mais rígidos e os respectivos controlos sejam intensificados.

A história de uma empresa de transportes italiana, cujos motoristas causaram cerca de 300 acidentes em 7 anos, mostra que o não cumprimento dessas normas torna-se muito perigoso e, por vezes, mortal. A insuficiente supervisão das autoridades é uma das causas para haver esse incumprimento.

 

Como parte do projeto da ETF sobre a fadiga do motorista de autocarro e camião, cerca de 2.800 motoristas em toda a Europa compartilharam as suas experiências, sendo que três quartos dos entrevistados afirmaram que os principais sintomas de fadiga crónica eram:

 

A má qualidade do sono.

 

Horas de sono (descanso) insuficientes.

 

Períodos de descanso interrompidos.

 

Demasiadas horas de trabalho.

 

Infraestruturas ( parques, áreas de serviço) inadequadas, frequentemente sendo muito fracas.

 

Reduzidos e irregulares controles por parte das autoridades da supervisão dos países da UE.

 

Testemunho de um condutor Belga

“Existem práticas neste setor que não são exemplo para ninguém, acho que é a única indústria que não tem solução para esse problema. Isso também está relacionado com o facto de que os clientes e os patrões não se importarem com o que pode suceder.”

Reclama um condutor Austríaco

“Demoro uma hora para encontrar um lugar num parque … o mais certo é ter que ficar num lugar muito barulhento porque a maioria dos parques fica ao lado de faixas de circulação, sem proteção acústica.”

 

Afirma um condutor Português

“Não me recordo da última vez que fui controlado.”

Com base nos resultados obtidos, a ETF avisa os políticos da UE a tomarem medidas imediatas para evitar uma maior deterioração das condições de trabalho dos motoristas profissionais e prevenir a fadiga, uma “doença crónica” no tráfego rodoviário comercial, consequência desastrosa da não conformidade e de controles inadequados.

 

A federação defende expressamente:

 

Consistente aplicação das leis existentes, isto significa uma implementação de controlos estritos das novas regras que foram adoptadas como parte do pacote de mobilidade.

 

Reforço das regras sobre tempos de condução e períodos de repouso.

 

Criação de horários adequados que evitem longos períodos de condução noturna, limitem os horários irregulares de trabalho e impossibilitem a interrupção dos períodos de repouso e prolongamento dos tempos de condução.

 

A seguinte história de uma empresa de transportes italiana mostra como pode ser perigoso o incumprimento das regras sobre os tempos de condução e de repouso e a supervisão insuficiente por parte das autoridades de controlo competentes:

“Em maio deste ano, o portal de notícias suedtirolnews.it relatou um caso de condições de trabalho desumanas que colocam em risco todos os usuários das estradas.

O dono da transportadora “Plozzer” obrigou os seus motoristas a tornarem-se verdadeiros “escravos do volante”, obrigando

os motoristas a ficar na estrada até 20 horas sem intervalo, negando-lhes os intervalos (pausas, descansos) prescritos e até as férias.

Estes motoristas eram obrigados a trabalhar de forma desumana. Derivado à fadiga, os mesmos causaram um total de 276 acidentes em sete anos, um dos quais foi fatal.”

 

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